História - Mosaico “Orfeu” | União das Freguesias de Marrazes e Barosa

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19, Novembro 2017
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Mosaico “Orfeu”

    Nota prévia

Graças às pesquisas efetuadas sobre a freguesia de Santiago dos Marrazes pelo seu Ilustre freguês Joaquim de Oliveira da Silva Bernardes que em Apontamentos, Notas e Documentos para a sua História, edição da então Junta de freguesia de Marrazes, em 1997,é possível darmos nota desta peça arqueológica encontrada na área da União de Freguesia de Marrazes e Barosa, no intuito, não só de divulgar a sua existência, com fotografia no Museu Escolar, mas também deixar o alerta, para a necessidade de se dar a conhecer às entidades competentes, os achados desta natureza que eventualmente apareçam em intervenções urbanas, agrícolas ou outras no solo da nossa União de Freguesias.

Joaquim de Oliveira da Silva Bernardes

Nasceu em Marrazes em 07 de Outubro de 1920, fez os seus estudos primários em Marrazes, completou o 2º ciclo no Liceu Rodrigues Lobo em Leiria, bem como o Curso Elementar do Comércio na Escola Comercial e Industrial Domingues Sequeira, quando já trabalhava como empregado de escritório, e, nessa condição licenciou-se em 1963 em Ciências Histórico-Filosóficas, na faculdade de Letras de Lisboa, na qual apresentou a sua dissertação de licenciatura “ Leiria no seculo XIX. – Aspectos Económicos, estudo que veio a ser publicado, em 1981, pela Junta Distrital de Leiria. Foi aspirante de Finanças de 1943 a 1946, regressando à contabilidade, até ser forçado a exilar-se em Paris, a partir de Janeiro de 1965 para não ser preso pela PIDE, polícia política do regime de então. Faleceu, na Quinta da Matinha em 14 de Fevereiro de 2014, com 93 anos.

Mosaico Orfeu

Em 1897 numa propriedade do Senhor Luís Gaspar Portela, onde se roteava a terra para plantação de vinha, situada na zona de Martim Gil, foi encontrado um mosaico romano cujo motivo central é do lendário Orfeu a amansar feras. O mesmo foi recolhido sob a orientação do arquiteto Korrodi, ao tempo professor na escola Industrial de Leiria, do qual fez um esboço, enviando o material recolhido para o Museu Etnológico Português, mais tarde Museu Etnológico Dr. Pinto Leite Vasconcelos que foi o primeiro Diretor do Museu Etnológico Português, que acompanhou a recolha.

Já em 1855 tinha sido localizado em Arnal freguesia de Maceira um outro mosaico do Orfeu, e, para evitar confusões, tem sido designado este primeiro achado como o Mosaico Orfeu I e ao encontrado em Martim Gil como mosaico Orfeu II.

Apesar das semelhanças no formato e na repetição do motivo, observados, com pormenor, verificam-se diferenças acentuadas. Enquanto o painel central do Orfeu I ocupa grande parte do pavimento retangular, encaixado numa moldura de decoração geométrica estilizada, contendo cada um dos cantos do painel um busto humano, no mosaico Orfeu II do Martim Gil o painel central é um pequeno retângulo entre a restante decoração geométrica, desaparecem os bustos, as figuras tem disposições diversas, repetindo-se alguns animais.

Mosaico de Martim Gil – Mosaico Orfeu II

Tem forma retangular e nele está representado o mito de Orfeu a encantar feras, numa técnica rude e foi encontrado, já num estado bastante deteriorado, na área de Marrazes na zona da antiga cidade de Collipo. Com exceção do medalhão central, a parte restante do pavimento está decorada com desenhos geométricos do tipo floral. A decoração tem disposição alternada de octógnos e grandes cruzes de braços iguais, sendo o espaços intermédios ocupados por figuras geométricas de menor dimensão, decoradas com motivos diferentes, não se reconhecendo motivos repetidos.

Como já se referiu o achado ocorreu na propriedade do Senhor Luís Gaspar Portela, nas proximidades do Arrabalde, tendo também então sido encontrado algumas moedas e fragmentos de telhas e tijolos. Na altura, cremos, não terá sido dada a importância necessária ao achado, bem como nos tempos que se seguiram.

As referências aqui deixadas, foram extraídas do livro do Senhor Joaquim de Oliveira da Silva Bernardes, edição da Junta de Freguesia de Marrazes de 1997 e do estudo de Irisalva Nóbrega Moita de 1951.

Segue-se foto do  Mosaico Orfeu II 

 

 

Qualquer contributo para a melhoria destas notas sobre o Mosaico Orfeu são bem-vindas e estamos certos contribuirão para melhor conhecermos os tempos que nos antecederam.